PALESTRA E LANÇAMENTO DO LIVRO “Cinema e Cordel: jogo de espelhos”, dia 12 de agosto de 2016, às 9h.

O evento ocorrerá dia 12 de agosto de 2016, às 9 horas, no Auditório do Demid – Depto de Mídias Digitas da UFPB/Campus 1 (rua da agência da Caixa Econômica/TV UFPB).

Promovido pelo departamento de Mídias Digitais (Demid) e do Grupo de
Estudos em cinema e audiovisual (Gecine), do Centro de Ciências
Humanas, Letras e Artes da UFPB.

Apoio: Instituto Francês do Brasil, Aliança Francesa de João Pessoa, Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB

Coordenação: Bertrand Lira (GECINE) Contatos: (83) 98877 47 47(Oi) e 99664-9698 (Tim) lirabertrand@gmail.com

Autora: Sylvie DEBS

Contatos: debs.sylvie@gmail.com

Editoras: Lume Filmes/ Interarte

APRESENTAÇÃO – Geraldo Sarno (cineasta)

Este livro de Sylvie Debs, estudiosa atenta do cinema nordestino, segue caminho singular nos estudos do cinema brasileiro. Em tempos de exaltação de valores e modelos de mercado, Sylvie investiga outras trilhas: as relações do cinema com formas tradicionais de expressão artística do povo brasileiro.

A poesia popular do Nordeste, escrita em folhetos de cordel ou improvisada nas cantorias, tem inspirado, ao longo de décadas, o nosso cinema. Não apenas por meio dos temas que divulga, mas, também, e sobretudo, das formas pelas quais essa poesia se expressa. Estes artistas são portadores de uma essência ancestral que não se esgota, embora se transforme. É o que estamos assistindo em nossos dias com a parceria do rap e da embolada. Talvez um dia o cinema filme como os cantadores cantam.

A relação entre cinema e poesia popular não se fez apenas por meio da busca de temas tradicionais do cordel, como o cangaço ou a comédia pícara. A aproximação mais rica se fez pela linguagem. E é aqui que este livro de Sylvie Debs, fina conhecedora das coisas do sertão e do cinema, abre caminhos que cabe ao leitor palmilhar.

ORELHA DO LIVRO:

A Dra. Sylvie Debs afirma que o seu interesse específico pela região Nordeste nasceu em 1993, quando leu as primeiras linhas do romance de Mario Vargas Llosa A Guerra do Fim do

Mundo. Essa leitura imediatamente nela evocou as imagens dos filmes de Glauber Rocha, única referência que possuía do cinema brasileiro, fazendo-a tomar a decisão de conhecer e estudar o sertão. Foi assim que, alguns anos depois, defendeu sua tese de doutorado (Universidade Le Mirail de Toulouse – França) sobre cinema e literatura brasileira, quando teve a oportunidade de conhecer as obras de Euclides da Cunha, Mário de Andrade, Raquel de Queiroz, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, passando pelos grandes intérpretes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda, Paulo Prado, Gilberto Freyre), até chegar aos filmes de Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Ruy Guerra e à chamada Retomada do Cinema Brasileiro, com Walter Salles, José Araújo, Paulo Caldas, Lírio Ferreira e Rosemberg Cariry. Durante esses estudos, em intervalos regulares, Sylvie Debs foi encontrando traços da cultura chamada “popular” ou “tradicional”.

Nessa ocasião, ela deu-se conta da existência de possível corpus temático sobre a relação entre o cinema e a literatura de cordel. Fascinada por essa descoberta, começou a abordar o tema em ensaios e críticas publicadas em revistas especializadas. Depois de duas edições brasileiras do seu livro de estreia Cinema e Literatura no Brasil – Os Mitos do Sertão: Emergência de uma Identidade Nacional, ela escreveu um ensaio sucinto intitulado Cinema e Cordel: idas e vindas entre a imagem e a letra, que estabeleceu uma tipologia de relações entre o cinema e a literatura de cordel. Diante da boa repercussão desse trabalho nos meios acadêmicos e, sobretudo, nos meios cinematográficos e da crítica especializada, ela resolveu prosseguir com esse campo de pesquisa. Em 2005, fez uma viagem de estudos para o Brasil, notadamente para a região Nordeste, podendo assim ampliar os conhecimentos adquiridos nas pesquisas que realizara para a elaboração da sua tese de doutorado, na segunda metade da década de 1990, quando acompanhou e estudou os filmes da Retomada do Cinema Brasileiro.

Ao lançar este primeiro volume da série sobre Cinema e Cordel, a Interarte e a Lume Filmes acreditam estar contribuindo para alargar e aprofundar o (re)conhecimento da importante contribuição das culturas populares às artes brasileiras, notadamente ao cinema brasileiro, em uma época em que os preconceitos terminam por sufocar completamente a riqueza e a diversidade dessas manifestações, herdeiras de povos e culturas, de diversos países e de diferentes épocas.

Sobre o Gecine

Criado em 2009, o Grupo de Estudos em Cinema e Audiovisual (Gecine), o grupo tem se dedicado, desde então, ao estudo das narrativas audiovisuais, desenvolvendo um projeto de pesquisa sobre o documentário brasileiro contemporâneo, com ênfase na produção regional e local, e seus modos de representação do real num contexto de emergência de novas mídias e tecnologias digitais. Como resultado desses dois anos de pesquisa, o GEPPAU editou dois e-books com textos de alunos e professores do Depto de Comunicação em Mídias Digitais e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da Universidade Federal da Paraíba (PPGC). http://www.cchla.ufpb.br/ppgc/. O Geppau participou também da organização da Mostra de Filmes Temáticos Matizes da sexualidade nas edições 2011,

2012, 2013 e 2014, e do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, edições 2011 e 2013, além de comunicações de seu integrantes em eventos acadêmicos da Socine, no Brasil, e da AIM, em Covilhã, Portugal. O Gecine é coordenado pelo prof. dr. Bertrand Lira do Departamento de Mídias Digitais da UFPB

ÍNDICE:

Agradecimentos ………………………………………………………………………………………………….. 7

Nota do Editor ……………………………………………………………………………………………………………….. 9

O cordel e o cinema – Geraldo Sarno …………………………………………………………………………… 11

ENSAIOS

1) Cinema e cordel: idas e vindas entre a imagem e a letra………………………………………. 17

2) Cordel, cinema & Glauber: era uma vez o Nordeste …………………………………………….. 29

3) O cordel na luz do cinema: a trajetória singular de Geraldo Sarno nos Cadernos do

Sertão e A condição brasileira ………………………………………………………………………………. 45

4) João Batista de Andrade: a representação do poeta popular no cinema …………………. 61

5) Patativa do Assaré visto por Rosemberg Cariry ou a construção de um mito …………… 71

6) Ítalo Cajueiro: cordel e cinema de animação ……………………………………………………….. 85

7) O poder de denúncia do cordel no cinema: Romance do vaqueiro voador,

de João Bosco Bezerra Bonfim e Manfredo Caldas ………………………………………………….. 95

ENTREVISTAS COM CINEASTAS

Cesar e Marie-Clémence Paes………………………………………………………………………………. 105

Chico Liberato……………………………………………………………………………………………………… 111

Eduardo Escorel…………………………………………………………………………………………………… 125

Geraldo Sarno……………………………………………………………………………………………………… 129

Ítalo Cajueiro………………………………………………………………………………………………………… 133

João Batista de Andrade………………………………………………………………………………………… 141

Maurice Capovilla………………………………………………………………………………………………….. 151

Nelson Pereira dos Santos……………………………………………………………………………………… 153

Orlando e Conceição Senna……………………………………………………………………………………. 157

Rosemberg Cariry………………………………………………………………………………………………….. 161

Sérgio Ricardo………………………………………………………………………………………………………. 191

Vladimir Carvalho…………………………………………………………………………………………………… 197

Zelito Vianna………………………………………………………………………………………………………….. 203

ENTREVISTAS COM ATORES E CRÍTICOS

Hernani Heffner……………………………………………………………………………………………………… 209

João Carlos Teixeira Gomes……………………………………………………………………………………. 219

José Dumont………………………………………………………………………………………………………….. 223

ENTREVISTAS COM CORDELISTAS

Enéas Tavares……………………………………………………………………………………………………….. 231

João Bosco Bezerra Bonfim……………………………………………………………………………………… 235

José Borges…………………………………………………………………………………………………………… 239

Marcelo Soares………………………………………………………………………………………………………. 243

BIBLIOGRAFIA E FILMOGRAFIA …………………………………………………………………………….. 249

CURRÍCULO DA AUTORA:

Doutora em literatura comparada pela Universidade Le Mirail de Toulouse, Sylvie Debs é considerada uma das maiores especialistas de cinema brasileiro na França. Já publicou

Patativa do Assaré (2000), Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional (2002) e Brasil: o ateliê dos cineastas (2004), assim como inúmeros artigos sobre cinema, literatura de cordel e cultura popular, em revistas especializadas. Foi produtora associada de filmes de longa-metragem e participou como jurado em festivais de cinema no Brasil e em outros países. Como adida de cooperação e ação cultural na Embaixada de França no Brasil (2006-2010), foi uma das organizadoras do Ano França-Brasil e, depois, no México (2010-2013), também como adida cultural, promoveu e participou de importantes eventos e intercâmbios culturais e artísticos entre o México e França.

Sylvie Debs tem ampla experiência de difusão e cooperação cultural que a levou a participar de instituições e de seminários internacionais sobre a cultura contemporânea. Exerce o magistério na Universidade de Estrasburgo, França.

A partir de 2013, retomou suas pesquisas sobre a cultura brasileira e, atualmente, coordena a Casa Brasileira de Refúgio – CABRA, a primeira fundada na América do Sul, recentemente criada, com apoio do PEN Clube do Brasil, e integrante da rede do International Cities of Refuge Network – ICORN, voltada para o apoio e proteção a escritores e artistas exilados, em situação de risco em seus países de origem.

PATROCÍNIO:

O livro foi contemplado no edital “Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel” / 2010 Edição Patativa do Assaré – Ministério da Cultura – MinC

Autora: Sylvie DEBS

Sylvie Debs_Créd. Junior Aragão (6) - copieSyvie Debs Foto 02

 

Syvie Debs Foto 03 (1)