CICLO DE FILMES E DEBATES DISCUTE ESTÉTICA, PODER E RELAÇÕES INTERCULTURAIS NO CINEMA FRANCÓFONO

Sessões iniciais abordam o impacto cultural dos 50 anos do Maio de 68.

Sediado no Cine Aruanda (UFPB), o evento é gratuito e aberto para o público em geral.

O projeto de exibição “Cinema francófono: estética, poder e relações interculturais” inicia suas atividades na próxima segunda-feira, 07 de maio, no Campus I da Universidade Federal da Paraíba com a exibição da obra “O fundo do ar é vermelho” (Le fond de l’air est rouge, 1977), do diretor Chris Marker. A sessão, aberta ao público em geral, começa às 15h, no Cine Aruanda e será seguida por debate com o doutorando em Sociologia Jonas Nascimento (PPGS/UFPE) e o cineasta, pesquisador e ativista Pedro Severien (PE). O ciclo de filmes e debates seguirá ao longo do ano e integra o projeto de extensão “Estética, poder e relações interculturais no cinema francófono”, realizado pelo Grupo de Estudos em Estética, Técnica e Sociedade (DCS/UFPB) e o Departamento de Mediações Interculturais da UFPB, em parceria com a Assessoria para Assuntos Internacionais, Idioma sem Fronteiras, Associação Brasileira dos Críticos de Cinema, Cinemateca da França/Embaixada da França/InstitutFrançais e Alliance Française.

Rica em experimentos formais e em diversidade cultural e idiomática, a filmografia francófona está entre as mais importantes da história do cinema. Nesta tradição, a inovação estética e narrativa tem sido, em grande medida, concebida a partir da problematização das conexões entre poder, cultura e sociedade. Esta mostra aborda este legado privilegiando o eixo estética, poder e relações interculturais, em vista da sua multiplicidade geopolítica e geocultural e das tensões de ordem política e de mediação intercultural que lhe acompanham.

Dessa maneira, o objetivo é fomentar um diálogo entre países, épocas, gêneros, formatos e técnicas, estabelecendo um ambiente favorável ao fluxo de ideias e sensibilidades. “A principal intenção é aprofundar a reflexão sobre intervenções decorrentes de temas como colonização, pós-colonização e movimentos contraculturais, tendo os próprios filmescomo documento deste processo”, afirma o sociólogo e professor do Departamento de Ciências Sociais da UFPB Aécio Amaral, um dos organizadores do projeto.

No mês de maio, a mostra prioriza uma imersão sobre o legado de maio de 68 – lançando um olhar crítico sobre os 50 anos deste evento fundamental da contemporaneidade. Durante este mês, os filmes “Loucuras de uma primavera” (Milouen Mai, 1990), de Louis Malle; “Os Panteras Negras” (Black Panthers, 1968), deAgnèsVarda e “Eu, um negro” (Moi, unnoir, 1958), de Jean Rouch, também integram a agenda de exibições que serão seguidas de debates com pesquisadores, críticos e especialistas de diferentes regiões do país.

Em paralelo à mostra, haverá, de maio a outubro, o Ciclo de Estudos “Estética e poder, cinema relações interculturais”, iniciativa que visa municiar a recepção dos filmes da mostra com discussões teóricas. Tanto a mostra quanto o ciclo de estudos são parte do Projeto de Extensão “Estética, poder e relações interculturais no cinema francófono”.

As inscrições para certificação de participação nas duas atividades para membros internos e externos à UFPB podem ser feitas pelo link (https://sigaa.ufpb.br/sigaa/public/extensao/paginaListaPeriodosInscricoesAtividadesPublico.jsf). O link também dá acesso acesso a informações sobre as programações das duas atividades.

 Serviço

Cinema francófono: estética, poder e relações interculturais

Quando: 7 de maio, às 15h; 15 e 28 de maio, às 16h.

Onde: Cine Aruanda (UFPB)

Informações: gets.dcsufpb@gmail.com

Entrada franca

 

PROGRAMAÇÃO DE MAIO

 

Segunda, 7 de maio, 15h

 

Título:Le fond de l’air est rouge / O fundo do ar é vermelho

França, 1977, 180′, cor, 35mm

Direção:Chris Marker

 

Sinopse: As esperanças e as decepções suscitadas pelos movimentos revolucionários de 1968 ao redor do mundo, do regime chinês ao cubano, passando pela Primavera de Praga, até os movimentos estudantis e operários franceses. Chris Marker ressalta que não se pode simplificar o que nada tem de simples: as manifestações populares, os movimentos da política, os rumos incertos da História e da sociedade.

 Debatedores:Jonas Nascimento (PPGS/UFPE) e Pedro Severien (Cineasta, pesquisador e ativista); Mediador: Aécio Amaral (GETS e DCS/UFPB).

  

Terça, 15 de maio, 16h

Título: Milouen Mai / Loucuras de uma primavera

França, 1990, cor, 108′, 35mm

Direção: Louis Malle

Sinopse: Em um casarão do sudoeste da França, cercado de vinhedos, a avó acaba de falecer. Estamos em maio de 1968. Apesar das greves, a família virá para o enterro. Milou, o neto da falecida, vai contra o resto da família, que deseja vender a propriedade. Entre conflitos de ideias e gerações, Malle compõe uma visão crítica e bem humorada sobre as ilusões e valores burgueses.

Debatedores: João Luiz Vieira (Professor Titular do Dept. de Cinema e Vìdeo da UFF-RJ) e João Batista de Brito (crítico de cinema e de literatura);

Mediadora: Katia Ferreira Fraga (DMI/UFPB)

 

Segunda, 28 de maio, 16h

 

Título: Black Panthers / Os Panteras Negras

França, 1968, 28′, cor, 35mm

Direção:AgnèsVarda

Sinopse:Em homenagem aos 90 anos da  pioneira da Nouvelle Vague, AgnèsVarda. No verão de 1968, os Panteras Negras de Oakland (Califórnia) organizaram vários debates de conscientização em torno do processo de um de seus líderes, Huey Newton. Eles queriam – e conseguiram – chamar a atenção dos americanos e mobilizar as consciências durante esse processo político. Neste sentido, deve-se realmente datar este documento: 1968.

 

Título: Moi, um noir / Eu, um negro

França, 1958, 80′, cor, 35mm

Direção: JeanRouch

Sinopse: Uma semana da vida de jovens nigerianos que chegam à capital da Costa do Marfim em busca de trabalho. O herói, que conta sua própria história, se auto-denomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos para simbolizar uma personalidade ideal. Eles realizam trabalhos servis como estivadores, carregando sacos e suprimentos úteis para a Europa. À noite, bebem suas mágoas em bares enquanto sonham com vidas idealizadas. Cada dia é introduzido por uma narração de Jean Rouch, considerado o pai da etnoficção.

Debatedores: Carine Fiúza (Cineasta, ativista e graduanda em Cinema/UFPB), Elio Chaves Flores (NEABI e PPGH/UFPB) e Heitor Augusto (crítico, curador, pesquisador e professor – SP); Mediadora:Gabriela Lucena (Ciências Sociais/UFPB)