Convidados(as) Confirmados(as)

Conferência de abertura: Por uma teoria da tradução de ficção

Paulo Bezerra (UFF)

“A tradução de ficção repousa sobre um conflito entre duas ordens: a ordem linguística e a ordem poética. Ordem linguística versus ordem poética. Há uma questão de primeiríssima essência na tradução de ficção e que eu chamo de conflito entre a ordem linguística e a ordem poética. A ordem linguística é restritiva, está centrada no significado isolado de palavras e frases, é responsável pela ilusão de literalidade e fidelidade à letra do texto e pode provocar no leitor uma sensação de frase descontextualizada, de descontinuidade e estranheza do contexto representado. Já a ordem poética está alicerçada nos sentidos emanados do espírito do contexto, sedimenta sua continuidade e faz o leitor sentir-se envolvido no espírito do contexto. A ordem poética corrige a ordem linguística, liberta o discurso do cativeiro do significado da frase isolada, dilatando o espaço da significação e priorizando o sentido do contexto”.


Tradução automática nas sociedades digitais

Tone Chavez (UFCG)

Discutir algumas questões que resultaram no (des) prestígio de ferramentas/aplicativos de Tradução Automática nas sociedades digitais (PYM, 2010). Em vista disso, serão consideradas as categorias de uso postuladas por Kohen (2010; 2011), a saber, tradução automática enquanto: a) assimilação de língua estrangeira; b) comunicação; e c) divulgação do texto.


Após O sumiço dos ee de Perec, Qe regressem: Les Revenentes

José Roberto Andrade Féres (UFPB)

Pouco tempo depois de ter lançado seu romance sem a vogal e, La Disparition (O sumiço, em português, tradução de minha autoria agraciada em 2016 com dois prêmios Jabuti, nas categorias Tradução e Capa, e com o Prêmio Literário Biblioteca Nacional, na categoria Tradução), Georges Perec escreveu Les Revenentes, livro em que o e é a única vogal empregada. Bem como o escritor, ao ter terminado o lipogramático O sumiço, passei a me dedicar ao trabalho monovocálico, até agora intitulado Qe regressem, tradução ainda inacabada que será tomada como ponto de partida para se discorrer sobre estratégias e escolhas tradutórias.


Historiografia da tradução no Brasil: Desafios para o século XXI

Germana Henriques Pereira (UnB)


Com a palavra o tradutor: Paratextos e metatextos como espaço de reflexão teórica

Marcia do Amaral Peixoto Martins (PUC-Rio)

O objetivo deste trabalho é apresentar e discutir algumas teorizações não formais sobre tradução desenvolvidas por tradutores brasileiros em espaços para- e metatextuais. Desde a metade do século passado, com o surgimento e a posterior consolidação da disciplina Estudos da Tradução no universo acadêmico, estudiosos brasileiros vêm se destacando no cenário nacional e internacional com teorizações instigantes e influentes, como é o caso de Paulo Rónai, Rosemary Arrojo, Haroldo de Campos, Else Vieira e Fábio Alves, dentre outros. Suas ideias, devidamente elaboradas, têm sido regularmente publicadas em volumes identificados como teóricos, garantindo sua difusão e circulação. Muito antes disso, no entanto, já vinham sendo formuladas reflexões sobre tradução igualmente reveladoras, mas em espaços menos visíveis: em vez de livros ou artigos que se inscrevem sob a rubrica “teoria”, são encontradas em prefácios/posfácios de tradutores ou paratextos equivalentes, ou ainda em textos fora do âmbito do livro traduzido, constituindo os chamados metatextos. A proposta é apresentar e discutir alguns desses textos, produzidos por tradutores como Manoel Jacinto Nogueira da Gama (século XVIII), Odorico Mendes (século XIX), Millôr Fernandes (século XX) e Paulo Bezerra (século XXI).


Minicursos:

Nada se perde, nada se cria, tudo se transcria

 José Roberto Andrade Féres (UFPB)

Raramente pode-se ouvir uma discussão sobre tradução sem que o termo “perda” venha à tona: a tradução, supostamente, sempre “perde” isto ou aquilo que parecia haver no “original”. O minicurso que aqui se propõe tem por objetivo, justamente, questionar as concepções de “perda” concernentes à tradução, sobretudo à tradução de poesia ou de “prosa que a ela equivalha em problematicidade”, como diria Haroldo de Campos, o criador do termo “transcriação”, impli-citado no nosso título um tanto quanto lavoisieriano.