Opinião

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Denise Mattos Monteiro

No primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, em 2014, a candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Vana Roussef, ultrapassou com larga vantagem o candidato adversário Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira, na preferência do eleitorado da região Nordeste do país. Esse fato foi intensamente destacado e explorado pela grande mídia, monopolizada por algumas poucas e milionárias famílias.

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Alexandre Náder

Alexandre Náder

Estamos diante de uma questão extremamente grave e que atinge uma parcela muito grande, majoritária, da população brasileira: a imposição de uma reforma educacional (mais uma imposição, mais uma reforma educacional), voltada para o Ensino Médio, etapa conclusiva da Educação Básica.

Imposição porque feita pela via da Medida Provisória, a MP 746/16, suprimindo, desse modo, qualquer possibilidade de debate, para a formulação de seu conteúdo, pela população e pelos efetivos sujeitos em presença na concretização do Ensino Médio em nosso país: professores, estudantes, pais/responsáveis, agências de formação de professores, demais trabalhadores e profissionais da Educação… Imposição porque, mais uma vez, saída dos gabinetes do governo em Brasília, desconhece as condições concretas do funcionamento dessa etapa da Educação Básica e desrespeita, com seu propósito de discurso único, naturalizado, a experiência e as aspirações dos principais atingidos pelas mudanças que busca implantar.

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Denise Mattos Monteiro

Uma das características da sociedade brasileira é a arrogância e a prepotência presentes no comportamento de grande parte de sua classe dominante, mas também no comportamento daqueles que, não pertencendo a essa classe, gostam de se considerar como parte da “elite” do país.
O retrato mais acabado desse comportamento está contido no uso da malfadada expressão “você sabe com quem está falando?” Pronunciada em situações as mais diversas, mas sobretudo naquelas em que um vislumbre de revolta “dos de baixo” se apresenta, essa frase enfatiza a desigualdade social, naturalizando-a, e reforça o autoritarismo político. Ela tem por finalidade última lembrar àquele que a ouve o quão inferior ele é ao que a pronuncia. E, evidentemente, tem servido para garantir a muitos dessa “elite” ampliada impunidade de seus crimes perante a lei, garantida por advogados muito bem pagos.
Essa, assim como outras características das relações sociais no Brasil, é mais bem compreendida quando conhecemos suas origens históricas, em outras palavras, quando consideramos nosso passado escravista. A arrogância e a prepotência são legados de uma sociedade que esteve baseada na presença de senhores e escravos por mais de 300 anos. A abolição da escravidão indígena, em 1755, e da escravidão negra, em 1888, não aboliu a mentalidade correspondente a essa estratificação social, pois, em diferentes graus e contextos, ela permaneceu e permanece ainda entre nós. A depreciação do trabalho braçal em contraposição à valorização da figura do “doutor” com privilégios garantidos, por exemplo, é uma de suas faces. Continue lendo