(*15/3/1919 / +27/8/2017)

(Arcebispo da Paraíba: 27/3/1966 / 29/11/1995)

É com imenso pesar que o Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba (NCDH/CCHLA/UFPB) presta homenagem póstuma a Dom José Maria Pires.

A defesa e a promoção dos direitos humanos foram as marcas presentes na sua vida, especialmente nos momentos de repressão da ditadura militar, colocando-se sempre a favor dos perseguidos, criando condições objetivas como o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, além de outras iniciativas voltadas para as pessoas em estado de vulnerabilidade social, como a Equipe de Promoção Humana, Igreja Viva, Operação Gota D’água, além de todo apoio às Comunidade Eclesiais de Base (CEBs) e às mais diversas Pastorais.

Dom José Maria Pires foi um seguidor das diretrizes do Concílio Vaticano II, da Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (CELAM), muito próximo da Teologia da Libertação.

Todos que conviveram com ele lembrarão a sua voz firme e doce, sempre acertada nas palavras e no discurso, coerente com mais profunda e radical mensagem cristã, de amor ao próximo.

José Maria Pires com camponeses da Fazenda Maria de Melo, Alagamar, na sua simplicidade lutando ao lado dos camponeses, sempre se posicionando contra as arbitrariedades da ditadura militar e da classe dominante, e por isso teve seus passos vigiados pela DOPS-PB.

(Foto: Arquivo Eclesiástico da Paraíba)

 

 

 

Em 1979, a Cantata pra Alagamar foi apresentada pela primeira vez, dando visibilidade à luta dos agricultores pelo direito de permanecer na terra. Resultado da parceria inusitada de D. José, líder da igreja católica na Paraíba, o judeu argentino José Alberto Kaplan, compositor, maestro e professor da UFPB, e o paulista ateu Waldemar José Solha, escritor, ator e artista plástico. Esta obra tomou por base a música e a poesia populares a partir do Hino de Alagamar, composto pelo camponês Severino Izidro. (Capa do disco Cantata pra Alagamar)

 

 

 

Dom José Maria Pires conhecido como Dom Pelé, assumiu politicamente a sua negritude, passando a ser conhecido também por Dom Zumbi. Concelebrou a Missa dos Quilombos, em 1981, criada a partir de uma ideia de Dom Hélder Câmara, com o apoio de Dom Pedro Casaldáliga, Pedro Tierra e Milton Nascimento. A intenção era dar maior visibilidade à causa dos negros escravizados, por tantos séculos silenciada pela Igreja Católica. (Missa dos Quilombos: https://www.youtube.com/watch?v=G03bEygvpmY)