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Cadernos Afro-PBs

Cadernos Afro-Paraibanos

A expressão Cadernos, numa era de ferramentas virtuais, soa um pouco escrever artesanalmente à moda dos românticos oitocentistas: ao bico de pena. A par disso, também podem implicar corpus fragmentários de atividades intelectuais que, encadernados, sustentam imaginários científicos, históricos e culturais. Antonio Gramsci, no cárcere do fascismo italiano, não deixou de escrever suas cartas filosóficas e políticas que, mais tarde, teriam grande aceitação entre os intelectuais das esquerdas como reflexões de renovação da própria tradição marxista e da “cultura revolucionária” com o título de Cadernos do Cárcere. Borradores filosóficos, notas esparsas ou cadernos literários parecem não ser muito considerados na nossa cultura escolar quando são produzidos por escritores e escritoras negras nesse Brasil contemporâneo com forte atualização culturalista das mestiçagens, hibridizações e crioulizações.

Lembramos, também, dos Cadernos Negros, produzidos ao longo de trinta e cinco anos (1978-2013) que pensaram uma história do Brasil vista pela ótica da matriz cultural africana e de uma escrita negra marcadamente poética.

Nossos Cadernos Afro-Paraibanos, que se multiplicarão ao passar dos anos, pretendem ser a “escrita multirracial” daqueles que trabalham pela erradicação do racismo e inscrevem suas práticas pedagógicas por uma educação antirracista.

Assim, dos Cadernos Negros para os Cadernos Afro-Paraibanos, podemos tornar nossas as palavras de Conceição Evaristo:

Foi mãe que me fez sentir

as flores amassadas

debaixo das pedras

os corpos vazios

rente às calçadas

e me ensinou, insisto, foi ela

a fazer da palavra

artifício

arte e ofício

do meu canto

da minha fala.

 

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