Demerval da Hora Oliveira

Lattes:  http://lattes.cnpq.br/9406653724224547

E-mail:  dermeval.dahora@gmail.com

 

Grupos de Pesquisa:

1) dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1814074994597596

2) dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1237096254713239

3) dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/8144345371426813

 

PROJETO: Variação Linguística no Estado da Paraíba: Fase III – variação, estilo, atitude e percepção

Iniciado em 1993, o Projeto Variação Linguística no Estado da Paraíba – VALPB – teve como objetivo geral traçar o perfil linguístico do falante paraibano, considerando, principalmente, aspectos fonético-fonológicos e gramaticais, a partir de um estudo em tempo aparente. Em relação aos aspectos fonético-fonológicos, foram levantados e analisados inúmeros processos envolvendo segmentos, a partir da observação do que se apresentava como variável na comunidade de João Pessoa, estratificada de acordo com o sexo, a faixa etária e os anos de escolarização, amostragem representada por sessenta informantes. Vinte anos depois, tempo considerado por Labov (1972) como uma geração, é possível realizarmos agora um estudo em tempo real, a partir do recontato. Nosso objetivo é voltar à comunidade e recontactar os mesmos informantes para verificar o que aconteceu com algumas variáveis, e se uma reanálise dos processos selecionados para este projeto pode ser usada como informação suficiente para ratificá-los ou não como processos de mudança em progresso ou de variação estável. O contato com os informantes do passado, caracterizará um estudo de painel. Caso não consigamos localizar os mesmos informantes, ou parte deles, teremos que compor uma nova amostragem, levando em conta a mesma estratificação anterior, e, nesse caso, estaremos realizando um estudo de tendência. Os dados obtidos no recontato permitirão revisitar muitos dos processos já analisados, mas para esse Projeto serão analisadas três variáveis: a palatalização das oclusivas dentais, as vogais médias pretônicas e as fricativas coronais em coda /s,z/. A escolha dessas variáveis tem como princípio o fato de a primeira delas já ter apresentado, nos estudos dos dados de 1993, uma tendência da comunidade à palatalização, forma avaliada como inovadora em uma comunidade cuja norma é a não palatalização. No que concerne às vogais médias pretônicas, a ideia é verificar se a comunidade caminha na direção da tendência nacional de fechar as vogais médias pretônicas, uma vez que esse é o padrão imposto, por exemplo, pela mídia. Quanto às fricativas, avaliaremos se a tendência à manutenção da palatalização ainda tem como restrição o contexto fonológico seguinte /t,d/, uma tendência do nordeste brasileiro, ou se outras restrições já condicionam o processo, como tem sido comprovado, por exemplo, com dados da Bahia (MOTA, 2005). Aliado a esse estudo de recontato, interessa-nos ainda, controlando as mesmas variáveis e respectivas variantes, avaliar o estilo em que elas são usadas, se formal ou casual; a atitude do ouvinte leigo e do ouvinte letrado em relação a seu uso, e como as percebe.