Fábio Alexandre Silva Bezerra

Lattes: http://lattes.cnpq.br/2658982050582888

E-mail:  fabes10@yahoo.com.br

Grupo de PesquisaGrupo de Estudos e Pesquisa em Linguística Sistêmico-Funcional, Análise Crítica do Discurso e Multimodalidade/Multiletramentos – GEPLAM – dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/3241713308813048

PROJETO: PERSPECTIVAS INTERSECCIONAIS E DESCOLONIAIS PARA A LINGUÍSTICA APLICADA CONTEMPORÂNEA: MULTILETRAMENTOS, IDENTIDADES E FORMAÇÃO DOCENTE

O que são multiletramentos? Qual sua relevância? Quais experiências identitárias são (in)visibilizadas e (des)legitimadas em nosso contexto social? Até que ponto os processos de formação docente têm dado conta dessas questões? Esses temas principais servirão de ponto de partida para o desenvolvimento de pesquisas que procurem discutir as multiplicidades de semioses e de culturas (NASCIMENTO; BEZERRA; HEBERLE, 2011; ROJO 2012; ROYCE 2007; VIAN JR 2018), a diversidade/fragmentação das identidades que permeiam a teia social (BAUMAN, 2000; BORBA, 2019; HALL, 2006; LOURO, 2019; SANTOS FILHO, 2020), bem como a medida em que professores/as estão sendo formados/as de maneira adequada para tratar da complexidade que é inerente às relações sociais contemporâneas nas intersecções entre gênero, sexualidade, raça, etnia, classe social, corporeidades, deficiência, espiritualidade, etc. (AKOTIRENE, 2019; COLLINS; BILGE, 2016). Essas reflexões se darão com base em uma postura descolonial sobre a produção, a distribuição e o consumo de conhecimentos e vivências, assim como os lugares marginais e/ou centrais que determinados indivíduos ocupam nesse cenário (CARNEIRO, 2005; COLLINS, 2019; FREIRE, 2005[1970]; GONZALEZ, 1988; GROSFOGUEL, 2016; KLEIMAN, 2013; MIGNOLO, 2012; MOITA LOPES, 2006; MENEZES DE SOUZA, 2019; QUIJANO, 2005; SANTOS, 2014). Considerando que os processos de globalização (GUIDENS, 2000; SANTOS, 2000) e as novas tecnologias (COPE; KALANTZIS, 2015; MORAN, 2019; SOUZA, SANTOS, 2019) têm provocado mudanças profundas na organização das sociedades, nas experiências identitárias e, consequentemente, nas relações de poder entre as pessoas e nos discursos que produzem (FAIRCLOUGH, 2015[1989]; MEURER, 2005; RESENDE e RAMALHO 2014), as pesquisas no âmbito da Linguística Aplicada devem envolver perspectivas de linguagem e concepções de sujeito que nos permitam dar conta de aspectos da vida social que constituem demandas dessa sociedade pós-moderna (BAUMAN, 2000). A partir dessas considerações, com o intuito maior de desenvolver reflexões sobre possíveis caminhos no âmbito da Linguística Aplicada no que tange o trabalho com multiletramentos críticos para o tratamento de questões identitárias e sociais complexas, o presente projeto tem como objetivos específicos 1) descrever práticas de multiletramentos na formação docente; 2) identificar potencialidades e deficiências nessas práticas de multiletramentos; 3) apontar (in)visibilizações e (des)legitimações de indivíduos e de discursos na sociedade, e na escola mais especificamente; 4) discutir possibilidades de atualização dos processos de formação docente para dar conta dessas questões; e 5) compartilhar experiências e orientações para práticas de multiletramentos e pesquisas em uma perspectiva descolonial e inclusiva ao criarmos espaços legítimos para novas epistemologias, metodologias e identidades em face dos desafios postos pela contemporaneidade.