O Observatório do discurso convida para as bancas de TCC de dois de seus pesquisadores

quarta-feira, 8 de julho de 2026
atualizado em quarta-feira, 8 de julho de 2026

O Observatório do discurso tem o prazer de convidar a comunidade acadêmica para as defesas públicas de Trabalho de Conclusão de Curso de dois de seus pesquisadores –  Amanda Melo de Oliveira e Pablo Vinicius da Silva Cavalcanti –, que concluem, neste semestre 2026.1, o curso de licenciatura em Letras Português.

Os pesquisadores são orientandos de Iniciação Científica da Profa. Dra. Amanda Braga desde 2024, na condição de bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e desenvolveram seus trabalhos de conclusão de curso na mesma temática dos projetos de PIBIC: a fala pública das mulheres.

As duas defesas ocorrerão no dia 21 de julho de 2026, a partir das 14h, na sala Multimídia C (CCHLA). Abaixo você confere todas as informações sobre cada uma delas:

Banca 1

Graduanda: Amanda Melo de Oliveira
Título: Eu sou livre para falar? Discursos, silenciamentos e resistências na fala pública de Marina Silva

Banca Examinadora:
Profa. Dra. Amanda Braga – UFPB (Orientadora)
Prof. Dr. Pedro Farias de Francelino – UFPB
Profa. Ma. Thainá da Costa Lima – UFPB

Resumo: O trabalho parte da hipótese de Courtine e Piovezani (2015), segundo a qual as práticas da fala pública são marcadas por uma divisão sexista, que historicamente distribui de forma desigual as possibilidades e os exercícios da palavra entre homens e mulheres. Dessa forma, estabelece-se uma oposição entre a virilidade do orador, associada à força e à coragem capazes de dominar os auditórios, e as supostas fragilidade e passividade femininas, frequentemente tomadas como sinais de incompetência para a prática oratória. Em complemento, Braga e Piovezani (2025) realizaram a análise discursiva de uma série enunciativa que materializa, da Antiguidade à atualidade, ideias, crenças e representações sobre o desempenho oratório das mulheres no espaço público. O propósito dos autores foi o de mostrar que esta série compreende a emergência de um dispositivo de silenciamento da fala pública feminina, que se consolida de tal modo e com tal força que seus ecos se estendem até a contemporaneidade (Braga; Piovezani, 2025). Nesse contexto, esta pesquisa busca investigar o funcionamento desse dispositivo no Brasil contemporâneo por meio da análise de enunciados sobre o desempenho oratório de Marina Silva, filiada à Rede Sustentabilidade, ex-ministra do Meio Ambiente e atual deputada federal por São Paulo. O corpus será composto por enunciados produzidos na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal, realizada em 27 de maio de 2025, para demonstrar como os discursos de exclusão e deslegitimação da fala feminina funcionam no cenário público. Mobilizando ferramentas teóricas e metodológicas dos Estudos Discursivos Foucaultianos (Foucault, 1979; 2001; 2010), pretendemos demonstrar como se configura, na fala da deputada, o embate entre o dispositivo de silenciamento das mulheres e os discursos emancipatórios que o confrontam.

Banca 2

Graduando: Pablo Vinicius da Silva Cavalcanti
Título: Mulheres que falam: silenciamentos e resistências na fala pública de Erika Hilton

Banca Examinadora:
Profa. Dra. Amanda Braga – UFPB (Orientadora)
Prof. Dr. Pedro Farias de Francelino – UFPB
Profa. Ma. Marcela Aianne Rebouças – UFPB

Resumo: Este trabalho analisa o funcionamento do dispositivo de silenciamento da fala pública feminina (Braga; Piovezani, 2025) e das estratégias de resistência presentes em discursos sobre a fala pública da deputada federal Erika Hilton (PSOL). Fundamentado nos pressupostos teórico-metodológicos dos Estudos Discursivos Foucaultianos (Foucault, 1979; 2001; 2010), o estudo parte da compreensão de que a exclusão das mulheres dos espaços públicos de fala resulta de processos históricos que regulam quem pode falar, em quais condições e com que legitimidade. O corpus da pesquisa é constituído por enunciados produzidos em duas ocasiões: as discussões ocorridas durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos de 8 de janeiro, em 2023, e os debates realizados na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados, em 2024. A pesquisa adota abordagem qualitativa e interpretativa, com análise de transcrições textuais, observando mecanismos de interrupção, deslegitimação da fala e disputas pelo turno discursivo, assim como estratégias de resistência mobilizadas pela parlamentar. Os resultados indicam que práticas históricas de controle da voz feminina permanecem sendo atualizadas em espaços institucionais contemporâneos, especialmente quando atravessadas por marcadores de gênero, identidade de gênero e raça. Conclui-se que o direito à fala permanece como elemento central das disputas políticas contemporâneas.