DISCURSO E CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE OS MOVIMENTOS DISCURSIVOS DO ALUNO E DO PROFESSOR

RESUMO

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O presente trabalho focaliza a tão (in)comum questão do ensino da língua portuguesa – a
produção de texto na escola, quanto à instauração da posição de sujeito-autor. Considerando
sujeito/linguagem/sentido numa relação processual discursiva, este tema teve como campo
de investigação o desenvolvimento de uma pesquisa-ação que envolveu, no contexto do
ensino fundamental, alunos de 5ª e da 8ª séries, através de um curso de leitura e produção
textual escrita. E, no contexto de formação, alunas – professoras e professora pesquisadora.
A partir dessa condição, priorizaram-se como lugar da pesquisa, de um lado, a sala de aula
onde se realizavam as produções escritas dos alunos, das séries envolvidas e, de outro lado,
as sessões reflexivas, espaço em que se reuniam as professoras das referidas turmas e a
professora pesquisadora. Dessa forma, ampliou-se o objeto de estudo, constituindo-se de
dupla natureza: de um lado, focaliza o processo de subjetividade no discurso oral das alunasprofessoras
e, do outro lado, o processo de subjetividade no texto escrito do aluno do ensino
fundamental. Assim, tomando como referência os movimentos discursivos dos sujeitos
envolvidos, este trabalho aponta como objetivos, no contexto do ensino fundamental:
analisar o processo discursivo, responsável pelo sentido e pela construção da subjetividade
do sujeito, na produção escrita de alunos do ensino fundamental e compreender como as
alunas-professoras analisam essas produções. No contexto de formação, este trabalho aponta
como objetivos: compreender como se dá o desenvolvimento da visão crítica de alunasprofessoras,
ao refletir sobre sua prática docente, e repensar a função-professor do professor
de língua portuguesa. Quanto ao escrever na escola, constata-se como esse processo é
marcado por condições de produção, determinadas por uma ordem de discurso, movida por
relações de poder. Logo, o lugar de autoria, nesse processo, é ainda e, talvez, sempre, um
lugar interpelado, sob condições de “subordinação”, pelo outro (da interlocução), pela
ideologia (o Outro) e pelos fatores sócio-culturais e políticos, isto, porque se trata de sujeitos
situados em lugares bem específicos, falando e escrevendo sob uma formação discursiva
também específica. Em relação ao lugar do professor reflexivo, constata-se o grau de
resistência para se deslocarem de posições-sujeito, tratando da relação teoria/prática e da
relação entre as condições de produção e o texto produzido. Importante verificar que, apesar
do grau de complexidade com que se reveste essa “nova” posição de sujeito do discurso, na
sala de aula, constata-se a possibilidade de a prática reflexiva se instaurar como processo
constitutivo da formação do professor de língua portuguesa.