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Artigos de Etienne Samain (1987-2001): cada texto, disponibilizado abaixo em formato de arquivo portátil (portable document file) [PDF], está acompanhado de sua referência original (para citação) e de um curto comentário acerca de seu contéudo.

Antropologia visual, mito e tabu. Samain, Etienne e Sôlha, Hélio. Publicado em: Cadernos de textos. Antropologia visual. Rio de Janeiro, Museu do índio. 1987, p. 5-7. [PDF]

Depois de tanto desenvolvimento tecnológico, com diversas câmeras mais leves, boas e baratas, como podem os antropólogos ainda não terem incorporado as imagens e câmeras dentro de seus métodos de pesquisa? A questão, já posta por Margaret Mead em 1973, seria ainda atual neste 2º milênio? Nesse artigo vemos alguns passos importantes sugeridos, desde os fins dos anos 1980, para o desenvolvimento da antropologia visual no Brasil.

Mito e fotografia: as aventuras eróticas de Kamukua. Publicado em: Cadernos de textos. Antropologia visual. Rio de Janeiro, Museu do índio. 1987, p. 46-50. [PDF]

Quais relações podem unir mito e fotografia? Entre a antropologia social e as artes visuais, esse artigo oferece um breve mergulho antropológico na problemática da imagem como criação e interpretação do mundo. Kamukua, saído das narrativas cosmológicas Kamayurá do Alto Xingú, é a personagem que nos conduz nesse caminho, pelo qual descobrimos que a palavra indígena Moroneta tem algo importante a nos ensinar sobre fotografia.

Entre a arte, a ciência e o delírio: a fotografia médica francesa na segunda metade do século XIX. Boletim do Centro de Memória da Unicamp, Campinas, v. 5, n.10, p. 11-32, 1993. [PDF]

Como a comunidade científica francesa se apropriou dos primeiros processos fotográficos inventados no século XIX? As expectativas desses homens de ciência sobre as imagens fotográficas chegam a ser espantosas. Esse artigo nos leva a perceber como a fotografia foi usada desde o campo da psiquiatria até à identificação de corpos (e almas!). São os notáveis trabalhos de Albert Londe, Hippolyte Baraduc, Francis Galton (primo de Darwin) e Cesare Lombroso, entre outros, que nos conduzem do hospício da Salpetrière à Prefeitura de Polícia de Paris, onde está em gestação a moderna carteira de identidade, com o seu significativo retrato individual, que temos até hoje.

– A Pesquisa fotográfica na França: notas antropológicas e bibliográficas, Textos de cultura e de comunicação, Salvador, nº 29, p. 109-127, 1993. [PDF]

Após mais de 150 anos de invenção da fotografia na França qual seria o estado dessa arte? O autor situa sua própria trajetória nesse artigo para, a partir daí, pensar a fotografia desde suas primeiras etapas de produção até a revolução do imaginário trazida pelas imagens informáticas. Um levantamento generoso que passa por Roland Barthes, André Rouillé e muitos outros estudiosos, nos introduz no fascinante universo do pensamento provocado pela fotografia.

A caverna obscura:  topografias da fotografia. Imagens, Campinas, n.1, p. 50-61, mars 1994. [PDF]

Por quantos horizontes podemos ver as fotografias, suas histórias e críticas? Nesse artigo Etienne Samain oferece uma síntese instigante e repleta de detalhes sobre as novas críticas e historiografias da fotografia. Revela-nos o efervescente campo de pesquisas fotográficas no Brasil, uma das quais, por Boris Kossoy, já há várias décadas demonstrara a invenção da fotografia na cidade de Campinas, estado de São Paulo, no século XIX. Além das várias obras fotográficas pesquisadas e publicadas recentemente no Brasil, o artigo aborda também discussões da crítica contemporânea, marcadas pelas contribuições de Roland Barthes e Charles S. Peirce.

Oralidade, escrita, visualidade: meios e modos de construção dos indivíduos e das sociedades humanas. Publicado em: Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (org.) e Luis Carlos Uchôa Junqueira Filho (coord.) Perturbador mundo novo. História, psicanálise e sociedade contemporânea. 1492-1900-1992. São Paulo: Escuta, 1994, p. 289-301. [PDF]

De que maneira nossas sociedades se transformam na medida em que a visualidade avança a passos largos em seu estágio informático? Num percurso antropológico que passa pela pesquisa com as sociedades Kamayurá do Alto Xingu, em 1977, até a criação do Programa de Pós-Graduação em Multimeios na Unicamp, em 1984, o autor nos convida a perceber as diversas diferenças e implicações dos meios e modos de comunicação humana em nossas vidas. Numa discussão que passa pelas obras de Jack Goody e Claude Lévi-Strauss, pergunta-se como, entre a narrativa oral xinguana e o programa de computador criador de imagens, novos indivíduos e sociedades se descortinam?

Para que a antropologia consiga tornar-se visual, com  uma breve bibliografia seletiva. Publicado em: Fausto Neto, A. (org) Brasil: comunicação, cultura e política. Rio de Janeiro: Diadorim. 1994, p. 33-46. [PDF]

Em que medida a antropologia pode se tornar visual? A questão, aparentemente simples, recobre todo um universo de interrogações mais amplas e fundamentais, apresentadas ao leitor em três seções. A complexidade dos desafios trazidos pela pesquisa com as imagens, especialmente no campo da antropologia visual, é apresentada sinteticamente ao leitor nesse artigo. Pode aí ser vislumbrado um amplo programa de pesquisa, entre o sensível, o científico, o artístico, o histórico, além de outros aspectos, os quais todavia, deixam claro que a antropologia foi, é e será visual. Seja pela via dos tantos antropólogos pioneiros que da imagem se serviram já no século XIX, seja pela indispensável consideração antropológica das artes e produções visuais contemporâneas.

– ´Ver´ e ´dizer´ na tradição etnográfica: Bronislaw Malinowski e a fotografia. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 1, n. 2, p. 23-60, jul. /set. 1995. [PDF]

O que sabemos sobre o famoso antropólogo polonês em termos das suas fotografias tomadas nas ilhas Trobriand na segunda década do século XX? Esse artigo, que sinaliza a aproximação do autor com o Núcleo de Antropologia Visual da UFRGS (NAVISUAL), oferece um mergulho na obra visual fotográfica de Malinowski para revelar um intricado relacionamento entre o texto e as imagens publicadas em três grandes livros. A hipótese de que a teoria funcional de Malinowski se fazia ver no modo como tomou e organizou suas fotografias, foi retomada posteriormente por Michael Young, num livro sobre as fotografias não publicadas do antropólogo polonês.

Questões heurísticas em torno do uso das imagens nas ciências sociais. Publicado em: Pedagogia da imagem. Imagem na Pedagogia. Niterói, RJ: Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Educação, Departamento de Fundamentos Pedagógicos, 1996, p. 7-17. [PDF]

N.A.: Esse artigo foi republicado inteiramente e sob o mesmo título no livro Desafios da Imagem: iconografia, fotografia e vídeo nas ciências sociais. (org. Bela Feldman-Bianco e Miriam L. Moreira Leite). Campinas: Papirus, 1998, p. 51-62.

Quais as diferenças e quais as complementaridades que existem entre a imagem e a escrita? Esta é uma das principais questões tratadas nesse artigo, o qual também recupera brevemente as reflexões mais amplas que acompanham a trajetória de seu pensamento nos anos anteriores. Desta vez, Etienne Samain, na companhia de Jean-Marie Schaeffer, Ernst Gombrich e Jonathan Crary, nos convida a questionar seriamente nossa condição de cientistas sociais e observadores num mundo em transformação.

No fundo dos olhos: os futuros visuais da antropologia. Cadernos de antropologia e imagem, Rio de Janeiro, nº 6, 1998, p. 141-158. [PDF]

Como a antropologia tem se servido das imagens e como, no futuro, poderá avançar nesse sentido? Esse artigo expressa a continuidade do tipo de pesquisa realizada sobre Bronislaw Malinowski e suas fotografias. A constatação recorrente de que, já no século XIX, a antropologia fazia uso de imagens em seus projetos, não nos deixa dúvidas da importância de se fazer uma história da antropologia visual no século XX. As obras de Gregory Bateson e Margaret Mead, de um lado, e de Albert Piette, de outro, são tomadas nesse sentido para revelar uma sofisticação incomum em termos das potencialidades do uso de imagens no campo da antropologia.

Entre a escrita e a imagem. Diálogos com Roberto Cardoso de Oliveira. Samain, Etienne e Mendonça, João Martinho de. Revista de. Antropologia, São Paulo, USP, 2000, vol.43, no.1, p.185-236. [PDF]

Qual seria o lugar reservado às imagens na antropologia feita no Brasil? Nesse encontro com o antropólogo brasileiro Roberto Cardoso de Oliveira em 1998, Etienne Samain questiona a proeminência conferida por Cardoso à escrita, tal como aparecia no artigo “O trabalho do antropólogo: olhar, ouvir, escrever” (1996). A generosa entrevista descortina capítulos importantes da antropologia brasileira. Demonstra a consideração do antropólogo brasileiro em face das questões postas sobre a visualidade na antropologia e sobre as suas fotografias dos Tikuna, arquivadas, as quais na época foram tema da pesquisa de Mestrado de João Martinho de Mendonça. Pistas importantes para uma antropologia visual fotográfica no Brasil ficaram, assim, esboçadas.

Quando a fotografia (já) fazia os antropólogos sonharem: o jornal La Lumière (1851-1860). Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2001, vol.44, no.2, p.89-126. [PDF]

É possível entender a relação crucial entre imagens e antropologia sem evocar o século XIX? As pesquisas do autor nos levam, desta vez, ao longínquo universo parisiense dos anos 1850, quando se fazia publicar um jornal chamado “La Lumière”, dedicado à fotografia nas suas três vertentes possíveis: as belas artes, as ciências e a indústria. A antropologia francesa da época, muito antes de Marcel Mauss, possuía um assumido caráter imperial, visto em obras como a de Georges-Louis Buffon, bem como no caso notável da Vênus Hotentote, exposta em Paris. História recentemente transformada em filme. Etienne Samain nos leva a perceber, com clareza, como a fotografia há muito habita os sonhos dos antropólogos, ou mesmo seus pesadelos morais.